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uma simultaneidade difícil



Sou a última pessoa autorizada a andar dizendo o que eu sinto e o que eu não sinto. Saber e sentir são coisas diferentes. Quando se sente, não se sabe, e quando se sabe, e quando você acredita que sabe, já deixou de sentir. Ou se sente outra coisa, o que dá no mesmo, porque na verdade você continua sem tomar conhecimento.

Xavier Velasco

Diabo Guardião


das utilidades sutis



Era ser cada dia um trapaceiro cheio de artifícios e às vezes até um assassino sem cadáver nem corpo do delito, cujos únicos vestígios resultavam em apenas algo menos do que ilegíveis – páginas e páginas de uma caligrafia tão falsamente recatada que se esforçava em não dizer o que dizia. Escrever para ninguém e para nada: foi assim que aprendeu a tornar-se invisível.




Xavier Velasco

Diabo Guardião



a prece de Violetta



Ave Maria Puríssima: eu me acuso de ser eu mesma, em tudo o quano é lugar. Isto é, de querer sempre ser outra. E ainda pior do que isso: de consegui-lo, ah, sim! Eu me acuso de bitchear, de witchear e de bancar a ordinária, de ser barata que nem vinho em caixinha, e ao mesmo tempo também cara, como qualquer piranha traiçoeira.

Xavier Velasco

em Diabo Guardião