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a ausência da sincronicidade



Todo amor tem seu instante inaugural, seu big bang particular, que é, por definição, um começo perdido, do qual os amantes, por mais perspicazes que sejam, nunca são contemporâneos. Não há amante que não seja, na verdade, herdeiro tardio de um instante de amor que nunca verá, capturado que ficou, e para sempre, no breu de sua aparição.


Alan Pauls

O passado

a sagacidade de Sofía



Rímini pensou que ia chorar e desviou os olhos rapidamente. Foi um ato reflexo; sabia que não tinha a menor chance de disfarçar: para os signos do amor – e no amor ela incluía também tudo o que vem antes e depois do amor, tudo o que o escoltava, o que ficava em seu caminho, o que flutuava como um nuvem ao seu redor, o que o amor havia desalojado e o que havia desalojado o amor: tudo –, os olhos de Sofía eram tão rápidos e certeiros quanto são os dos crupiês para aquele alfabeto de mãos, números e cores com que se escreve todas as noites os panos das mesas de roletas.


Alan Pauls

O passado