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da necessidade de mover-se



Mas o homem que se quer também desvelamento do ser, e, se coincide com essa vontade, ganha, pois o fato é que, através de sua presença no mundo, o mundo se torna presente. Mas o desvelamento implica uma perpétua tensão para manter o ser a distância, para arrancar-se do mundo e afirmar-se como liberdade: querer o desvelamento do mundo, querer-se livre, é um único movimento.



Simone de Beauvoir

Por uma moral da ambigüidade


da responsabilidade individual



Não se pode dizer primeiro que nosso destino terrestre tem ou não tem importância, pois depende de nós conceder-lhe uma.



Simone de Beauvoir

Por uma moral da ambigüidade


sobre alma irmã da minha



E não é verdade que o reconhecimento da liberdade de outrem limite minha própria liberdade: ser livre não é ter o poder de fazer qualquer coisa; é poder superar o dado rumo a um futuro aberto; a existência de outrem enquanto liberdade define minha situação e ela é até a condição de minha própria liberdade.



Simone de Beavoir

Por uma moral da ambigüidade


da conjugação diária e necessária



A liberdade é a fonte de que surgem todas as significações e todos os valores; ela é a condição original de toda justificação da existência; o homem que busca justificar sua vida deve querer antes de tudo e absolutamente a própria liberdade: ao mesmo tempo que ela exige a realização de fins concretos, de projetos singulares, ela se exige universalmente. Ela não é um valor inteiramente construído que se proporia de fora a minha adesão abstrata, mas a aparece (...) como causa em si: ela é convocada necessariamente pelos valores que afirma e através dos quais se afirma; ela não pode fundar uma recusa de si mesma, pois ao recusar-se recusaria a possibilidade de qualquer fundamento.



Simone de Beauvoir

Por uma moral da ambigüidade


se não houver um deus



Mas se o homem é livre para definir ele próprio as condições de uma vida válida a seus próprios olhos, ele não pode escolher qualquer coisa, e agir de qualquer modo? Dostoievski afirmava: "Se Deus não existe, tudo é permitido". [...] Entretanto, estamos longe de que a ausência de Deus autorize toda licença; é, ao contrário, porque o homem está desamparado sobre a terra que seus atos são engajamentos definitivos, absolutos, ele carrega a responsabilidade de um mundo que não é a obra de uma potência estrangeira, mas dele mesmo, e no qual se inscrevem tanto suas derrotas quanto suas vitórias. Um Deus pode perdoar, apagar, compensar; mas se deus não existe, as faltas do homem são inexpiáveis.



Simone de Beauvoir

Por uma moral da ambigüidade


a importância do amor que acaba



Foi muito importante para mim conhecer um amor assim fiel, verdadeiro, caloroso. Ele tocou profundamente meu coração, e eu lhe retribui com felicidade tal, que, se você ainda me quiser bem, não deve lamentá-lo; não se lastime por ter me dado tanto, pois tudo isso foi recebido com muito reconhecimento. A vida é curta e fria, sim, e é por isso que você estaria errado de dispensar sentimentos como os nossos, quentes, intensos. Não fomos loucos por nos amarmos assim [...], nós nos tornamos felizes por algum tempo, verdadeiramente felizes, e isso é mais do que algumas pessoas obterão de suas vidas, eu jamais o esquecerei e você se lembrará disso, às vezes, espero.



Simone de Beauvoir

Cartas a Nelson Algren - Um amor transatlântico [em dezembro de 1948]